A Câmara Municipal de Mesão Frio está a prestar apoio aos agricultores do Concelho cujas explorações têm sido afetadas pelas sucessivas intempéries registadas nas últimas semanas. Nomeadamente através do acompanhamento e do apoio ao preenchimento de um formulário de declaração de prejuízos disponibilizado pela CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte).
As chuvas intensas e persistentes provocaram a queda de muros de suporte, deslizamentos de terras, danos em estufas e perdas em culturas, resultando em elevados prejuízos para os proprietários, muitos deles pequenos produtores que veem agora comprometido o seu potencial produtivo e o trabalho de anos seriamente ameaçado.
Durante o dia de ontem acompanhámos o atendimento no Gabinete de Apoio ao Agricultor, onde a técnica municipal Eliana Correia ouviu e registou os danos e preocupações das pessoas.
Na Freguesia de Oliveira, Hugo Pinto, proprietário da Quinta de Santana, registou a queda de nove muros. “Os estragos são elevados, estamos a falar de milhares de euros. Só um dos muros, o de 35 metros, ronda os 18 mil euros para repor, a nível de mão de obra”, refere, acrescentando que ainda há estruturas em risco de abatimento. Para minimizar novos danos, o agricultor conseguiu encaminhar águas soltas de volta ao ribeiro, evitando uma maior pressão sobre os muros, numa tentativa de proteger o que ainda permanece de pé.
Também em Vila Marim, Nair Cardoso contabiliza prejuízos em dois muros de uma parcela de vinha que ruíram logo no final de janeiro. “A terra já tem tanta água!”, lamenta, receando novos desabamentos.
José Ferreira e Lurdes Lopes, proprietários em Vila Marim, foram confrontados com a verdadeira dimensão dos estragos quando se deslocaram ao terreno. “Pensávamos que os estragos eram menores, mas quando chegámos percebemos que era um desastre”, relatam. O muro de suporte à vinha, com cerca de 40 metros de comprimento, caiu na totalidade. “Agora temos de esperar que as terras sequem”, explicam, numa espera que aumenta a incerteza quanto ao futuro da produção e ansiedade por receio de novos estragos.
Na Freguesia de Barqueiros, Rogério Azevedo registou danos significativos numa estufa situada na parcela “Souto Ruivo”. A estrutura ficou seriamente danificada, assim como o plástico de cobertura. Os prejuízos são relevantes e um investimento difícil de recuperar a curto prazo.
Teresa Teixeira e José Teixeira, sócios de um horto no lugar da Bebereira, mesmo junto à margem direita do Douro, também sofreram prejuízos em duas parcelas. Numa delas, a subida do nível do rio provocou a queda de um muro sobre os terrenos de cultivo, afetando também uma estufa e as culturas do horto. Noutra parcela, em Cidadelhe, ruiu um muro de suporte a um olival.
Apesar das perdas, Teresa deixa uma palavra de reconhecimento às entidades locais. “Muito obrigada à Câmara Municipal e à Proteção Civil, que este ano foram incansáveis. Têm-nos comunicado com mais antecedência as cheias para nos precavermos”, afirma.
Em Vila Marim, no lugar de Ventuzelas, Manuel Pereira registou a queda de um muro de suporte à vinha comprometendo a estabilidade de uma das suas parcelas. Os prejuízos rondam os 2.500 euros, num momento particularmente difícil para quem depende exclusivamente da produção agrícola.
Também Ester Camilo registou a queda de quatro muros em duas propriedades situadas em Valdorigo e nos Mochinhos, encontrando-se ainda a avaliar a totalidade dos danos que poderão ter-se agravado com novas derrocadas recentes.
Francisco Lança reportou igualmente a queda de vários muros em várias parcelas na Rede e na Ilha de Cima, em Vila Marim, tendo parte de uma das derrocadas atingido a Estrada Nacional 101, causando constrangimentos temporários à circulação e deixando marcas profundas nas explorações afetadas.
O preenchimento do formulário pode ser efetuado individualmente, mas também a Adega Cooperativa de Mesão Frio, através de um técnico do Centro de Gestão Agrícola do Baixo Corgo, está a realizar atendimentos para ajudar todos os sócios com prejuízos agrícolas. João Paulo Reis explica que: “Este formulário destina-se a registar tudo aquilo que sejam prejuízos identificados nas explorações agrícolas, quer nas plantações, quer nas suas infraestruturas, armazéns de apoio agrícola, sistemas e infraestruturas de drenagem, acessos e também queda de muros, que são os prejuízos que mais temos registado. Tudo é passível de ser registado, desde que esteja relacionado com a exploração agrícola.”, esclareceu.
“O Centro de Gestão Agrícola do Baixo Corgo tem um protocolo com a Adega Cooperativa de Mesão Frio e todas as sextas-feiras prestamos apoio aos associados. Pelos registos que temos, Mesão Frio é mesmo o Concelho onde há mais prejuízos. Até ao momento fizemos 137 participações aqui no Concelho, mas também temos conhecimento de que muitos produtores fizeram o registo individualmente e através do Gabinete de Apoio ao Agricultor da Câmara Municipal.”
O Gabinete de Apoio ao Agricultor da Câmara Municipal de Mesão Frio funciona de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00, no edifício da Antiga Escola Primária Prof.ª Maria Angélica. O atendimento, para maior comodidade dos que dele usufruem, é realizado mediante agendamento prévio, através do contacto telefónico 254 890 100. No momento do atendimento deve trazer consigo o P3 atualizado, documento de identificação pessoal, prévia descrição dos prejuízos verificados na exploração agrícola, contacto telefónico e email.
O formulário de declaração de prejuízos disponibilizado pela CCDR-N permite sinalizar o maior número de ocorrências e contribuir para a preparação de um futuro aviso no âmbito do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), destinado ao restabelecimento do potencial produtivo.
Encontra-se disponível para todos os produtores da região, devendo ser preenchido com a maior brevidade possível. Apesar de não existir um prazo definido para a submissão, apela-se a que os agricultores apresentem o levantamento dos estragos o mais rapidamente possível para que a sinalização geral dos danos no Concelho e na Região Demarcada esteja o mais de acordo com a realidade.

