A celebração em festa do 25 de Abril de 1974 tem, em 2026, um significado simbólico que desde logo quisemos que fosse o mote político da Sessão Solene do Município de Mesão Frio para este ano.
Como foi brilhantemente explorado pelo Dr. Alexandre Chaves, nosso ilustre orador convidado, Portugal assinala, festeja e enaltece a extrema importância para o país democrático dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa e das primeiras eleições autárquicas da nação, que implantaram o Poder Local em todos os nossos Concelhos.
Como devem imaginar e reconhecer, é para mim muito comovente – como filho e irmão de antigos autarcas desta terra! - recordar essa data de dezembro de 1976 que elegeu por todo o país os primeiros dirigentes do Poder Local português. Homens e mulheres de diferentes partidos e orientações políticas que ousaram dar o passo em frente e mudar radicalmente o Portugal atrasado e miserável instituído compulsivamente por um Estado Novo fascista que incitava uma polícia política a perseguir, prender, torturar e matar os seus compatriotas que pensavam diferente!
Foram quase 30 mil os presos políticos só na então denominada ‘Metrópole’! 30 mil homens e mulheres inscritos numa infame e meticulosa lista de encarcerados por motivações políticas pela PIDE e seus posteriores sucedâneos! Muitos outros milhares foram igualmente presos nos territórios africanos sob jurisdição portuguesa durante a justa luta pela liberdade e emancipação dos seus povos…
Não esquecemos! Não esquecemos que muitos – muitos mesmo! – foram selvaticamente espancados e torturados! Também muitos deles – muitos mesmo! – foram enviados para o Campo de Concentração do Tarrafal! E sobretudo nunca deixaremos esquecer que muitos deles acabaram mortos às mãos da tenebrosa PIDE e da infame Legião Portuguesa, instrumentos de controlo, perseguição e terror da ditadura de Salazar e Marcelo Caetano.
Este dever de Memória é-nos devidamente recomendado por um nosso conterrâneo. Como pudemos recordar no acto cultural que deu início às celebrações do 25 de Abril em Mesão Frio, Domingos Monteiro deu ao país um enorme exemplo, tendo como jovem advogado defendido centenas de presos políticos durante os primeiros anos de Salazar como presidente do Conselho.
Nos escritos que nos deixou e que nós temos o dever de devolver permanentemente à luz dos dias, Domingos Monteiro escreve sobre os permanentes espancamentos e sobre as sinistras torturas que a PIDE infligia aos presos políticos que ele defendia nos tribunais plenários. Fala até da forma cruel como um dos seus constituintes morreu no Tarrafal por sucumbir aos maus-tratos da polícia política da ditadura fascista!
Meus amigos, nestes novos tempos onde impera a falta de decência política nos parlamentos e assembleias deste país, eu não tenho medo das palavras: antifascista me declaro e assumo! Humanista e democrata, claro, mas sempre, sempre antifascista, porque só assim posso honrar a memória, o compromisso e a luta do nosso querido Arlindo Dias Ferreira e de todos os outros Capitães de Abril, que comandados por Salgueiro Maia, trouxeram os cravos para a rua e a Liberdade ao país!
Caras e caros mesão-frienses, nunca foi tão urgente defender o que Abril nos trouxe! Nunca como agora - nestes 52 anos que temos de cravo ao peito - a verdade foi tão atacada!
Os especialistas em mentir e difamar; os ourives dos números e das verdades torcidas; os garimpeiros da indecência e da reescrita da História, estão instalados por dentro das estruturas Democráticas.
Lobos de falinhas mansas e polidas peles de carneiro pelos ombros, querem chegar a posições que lhes permitam o óbvio: como nos relembra a eterna voz de Zeca, eles querem comer tudo! Comer tudo e não deixar nada é o projeto de um certo grupo de papagaios que à força de mentiras usam o populismo para enganar o povo, porque assim que se instalarem no Poder lá virão os vampiros “em bandos com pés veludo, chupar o sangue fresco da manada”!
Meus amigos… digo-vos com toda a esperança: Não Passarão!!
Não passarão por muito que mintam nas redes sociais. Não passarão por muito que torçam a verdade. Não passarão por muito que torturem os números a seu suposto favor. E não passarão porque as peles de cordeiro lhes cairão definitivamente dos ombros!
Minhas senhoras e meus senhores, falei-vos no início de como me sentia particularmente comovido ao relembrar aqui as primeiras eleições autárquicas após o 25 de Abril. Nesse dia de Dezembro de 1976, há 50 anos, foi eleito como presidente da Câmara Municipal de Mesão Frio, António da Natividade.
O meu pai foi um lutador. Um combatente da Justiça Social, da Educação e da Solidariedade. Um trabalhador incansável por Mesão Frio e por todas as suas gentes. Nele me revejo em corpo e em espírito. Procuro, todos os dias, ser fiel ao seu exemplo de vida, ao seu compromisso com as pessoas e à justiça do seu comportamento como presidente da Câmara.
O Poder Local instituído há 50 anos tem de continuar a ser fiel à Constituição e conduzido por homens e mulheres que olhem para o 25 de Abril como um generoso exemplo de entrega, partilha e prática do Bem Comum.
Tem sido essa a minha motivação e será sempre esse o caminho que, junto com o meu Executivo, trilharei durante este meu último mandato à frente da Câmara Municipal de Mesão Frio!
Em defesa da Liberdade, da Paz e da Democracia: 25 de Abril Sempre!
Pelas pessoas e o bem-estar social: Fascismo nunca mais!
Viva Mesão Frio! Viva Portugal!
Muito obrigado a todos!

