O Município de Mesão Frio assinalou os 52 anos da Revolução dos Cravos com uma sessão solene. Realizada no Auditório Municipal, contou com intervenções oficiais do presidente da Câmara Municipal, do presidente da Assembleia Municipal e dos representantes das forças políticas eleitas para aquele órgão.
A cerimónia evocativa do 25 de Abril decorreu sob o mote dos 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa e das primeiras eleições autárquicas do país, que implantaram o Poder Local em todos os Concelhos.
O presidente da Câmara Municipal de Mesão Frio, Paulo Silva, destacou o forte simbolismo das comemorações, como uma homenagem aos “homens e mulheres de diferentes partidos e orientações políticas que ousaram dar o passo em frente e mudar radicalmente o Portugal atrasado e miserável instituído compulsivamente por um Estado Novo fascista que incitava uma polícia política a perseguir, prender, torturar e matar os seus compatriotas que pensavam diferente!”.
O autarca recordou a repressão do regime do Estado Novo, evocando os milhares de presos políticos, a violência da polícia política e o sofrimento de todos os que lutaram pela Liberdade. Sublinhou a importância de não esquecer esse passado, destacando o exemplo do advogado e escritor Domingos Monteiro, que defendeu centenas de presos políticos e denunciou as práticas da ditadura.
Paulo Silva alertou para os desafios atuais à Democracia, criticando o crescimento do populismo, da desinformação e da manipulação da verdade no espaço público. Defendeu ainda que “nunca foi tão urgente proteger os valores de Abril”, apelando à vigilância cívica perante ameaças que, segundo afirmou, “procuram fragilizar o regime democrático”.
O presidente da Autarquia evocou ainda o legado das primeiras lideranças locais eleitas em 1976, destacando António da Natividade, primeiro presidente da Câmara Municipal de Mesão Frio após o 25 de Abril, enaltecendo o seu compromisso com a justiça social, a educação e o desenvolvimento do Concelho: “O meu pai foi um lutador. Um combatente da Justiça Social, da Educação e da Solidariedade. Um trabalhador incansável por Mesão Frio e por todas as suas gentes. Nele me revejo em corpo e em espírito. Procuro, todos os dias, ser fiel ao seu exemplo de vida, ao seu compromisso com as pessoas e à justiça do seu comportamento como presidente da Câmara.”.
O Presidente da Assembleia Municipal, Carlos Pombo Silva, sublinhou que o 25 de Abril deve ser entendido não apenas como um marco histórico, mas como um compromisso contínuo: “não falamos apenas de um momento histórico. Falamos de uma promessa: a promessa de liberdade, da dignidade e da justiça social que ainda não chegou a todos”. Frisou também a necessidade de se ir além das conquistas formais da Democracia: “a verdadeira Democracia não se esgota nesses direitos”, defendendo que ela se mede pela forma como a sociedade trata os mais vulneráveis e apontou vários desafios atuais, como a pobreza e as desigualdades: “a justiça social continua incompleta”.
Entre os problemas mais significativos, nomeou a crise da habitação e as dificuldades no acesso à saúde, marcadas por desigualdades e longas esperas. Referiu ainda que o abandono do Interior do país deve preocupar-nos a todos: “um país que abandona o seu Interior está a abandonar parte de si próprio”, manifestando a importância de territórios como Mesão Frio na concretização dos ideais de Abril.
No plano político, o seu discurso advertiu para os riscos do populismo: “apresenta-se com palavras simples e soluções fáceis para problemas complexos”, alertando que pode fragilizar a Democracia ao dividir a sociedade e distorcer a verdade. Por fim, deixou um apelo à ação e à responsabilidade coletiva: “defender Abril hoje exige mais do que memória, exige vigilância.”
Alexandre Chaves, último Governador Civil de Vila Real, apresentou a palestra «Os 50 Anos do Poder Local nos 50 Anos da Constituição». A sessão foi pontuada por momentos musicais protagonizados pelo maestro mesão-friense, Diamantino Nogueira.
O dia das comemorações oficiais iniciou com o hastear da bandeira nos Paços do Concelho, seguido de uma romagem popular ao monumento dos ex-Combatentes, onde foi prestada homenagem com a deposição de uma coroa de cravos.
O programa comemorativo encerra no próximo dia 9 de maio, na II Gala Anual dos Alio Vírio, em que o coro dará voz a canções do repertório de Zeca Afonso que estiveram na origem dos primeiros ensaios do grupo coral na sua fundação. O evento contará com o artista convidado Mário Mata, guitarrista e cantor português que moldou gerações através da música "Não Há Nada P'ra Ninguém".

