Por iniciativa de Marquês de Pombal e com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1756, para garantir a qualidade do vinho e a afixação da demarcação da região vinhateira, foram colocados inicialmente 201 marcos em 1758. Mais tarde, a delimitação foi alargada com mais 134 marcos.
Os Marcos Pombalinos foram colocados por conta dos proprietários dos terrenos demarcados. Feitos em pedra de cantaria lavrada, com a inscrição 'Feitoria'. O algarismo corresponde à sua numeração e o ano de 1758 ou 1761 corresponde ao ano da colocação. Uns, embutidos em muros; muitos, derrubados e ocultos entre mato velho; alguns, a servir de canteiros ou dormentes de tonéis; e outros, de soleiras e padieiras de portas e janelas ou de sentinelas vigilantes em mortórios abandonados. Os marcos pombalinos eram feitos de granito em formato paralelepípedo e remate liso, com a face principal voltada para o caminho, na qual se inscreveu a designação: 'FEITORIA 1761', sendo classificados como imóveis de interesse público pelo Decreto-Lei n.º 35 909, DG 236 de 17 de Outubro de 1946.
- Marcos graníticos classificados n.º 5 e 6 - Quinta do Piar, Freguesia de Barqueiros
Encontram-se na Quinta do Piar, junto à Estrada Nacional 108-3, Freguesia de Barqueiros. O marco n.º 5 apresenta na face principal, virada para o socalco, a inscrição «Feitoria» distribuída por duas linhas. Está inserido na parede Norte do armazém da Quinta, a cerca de quatro metros de altura do solo, servindo de cachorro de suporte de uma das vigas da armação do telhado. Foi colocado na primeira adição da demarcação, nos terrenos de Lourenço de Azevedo, que solicitou a inclusão da sua Quinta na demarcação em 1759. Este Marco, juntamante com o classificado com o n.º 6 foi aproveitado para a construção do armazém da Quinta, tendo sido retirado em 1941 e recolocado na vinha abaixo da casa por iniciativa do então proprietário, Luís Guedes de Paiva.
- Marco granítico classificado n.º 7 - Quinta da Manuela, Freguesia de Barqueiros
Encontra-se junto à Estrada Nacional 108-3. Dentro da mata seguir o caminho abaixo da mina de água. O marco está em linha com o cais da Estação de Barqueiros. Trata-se de um marco de granito paralelepipédico, de remate liso, apresentando na face prinicipal, voltada ao rio, a inscrição «n.º 2 Feitoria» distribuída por três linhas. Face posterior bastante irregular. É o segundo marco da demarcação entre os rios Teixeira e Sermanha, colocado no canto da vinha do Padre Francisco Pereira Chaves, numa zona de limite de monte. O terreno deixou de ser cultivado, sendo atualmente a mata da Qunta da Manuela, onde persistem vários trechos de muros de suporte de vinha.
- Marco granítico classificado n.º 8 - Quinta da Ferreira de Baixo, Freguesia de Barqueiros
É o terceiro marco da demarcação entre os rios Teixeira e Sermanha, colocado na vinha da Ferreira, pertencente a Florido Jacinto. Esta vinha esteve abandonada e acabou por ser recolonizada por mata, como constatou Álvaro Moreira da Fonseca. O terreno foi surribado para vinha por volta do ano 2000. Durante a construção dos patamares o proprietário teve o cuidado de preservar o local onde o marco se encontrava. Apresenta na face pricipal, voltada ao rio, a inscrição «n.º 3 FEITORIA 1758 A» distribuída por cinco linhas. As restantes faces são lisas, sendo a posterior bastante irregular.
- Marco granítico classificado n.º 9 - Quinta da Costa do Bernardo, Lugar de Vila Jusã, Freguesia de Mesão Frio (Santo André)
É o sexto marco da demarcação entre os Rios Teixeira e Sermanha, colocado no Lugar das Barriãs, em mato de José Costa Pinto. Por volta de 130 foi retirado do local original e reutilizado como canteiro no interior do armazém da Quinta das Paredes, dos herdeiros de Simão Cardoso Vieira como informa Álvaro Moreira da Fonseca. O topónimo 'Paredes' perdeu-se sendo o local atualmente conhecido por 'Costa do Bernardo' ou 'Casa do Simão'. O armazém entrou em ruína, tendo o telhado e o soalho do primeiro piso caído sobre a área onde se encontrava o marco, o que provocou a sua degradação. Em 2006 o marco foi recolhido e restaurado por uma equipa do Museu do Douro, com o apoio da Câmara Municipal de Mesão Frio, tendo-se procedido à sua recolocação no terreno, em local próximo ao original.
Marco de granito paralelepipédico, de remate irregular. Apresenta na face principal, voltada ao rio, a inscrição 'N.º 6 FEITORIA' distribuída por três linhas, sendo o 'O' de menor dimensão. As restantes faces são lisas e bastante irregulares.
- Marco granítico classificado n.º 10 - Lugar da Forca, Freguesia de Vila Marim
Marco colocado na terceira adição da demarcação entre os rios Teixeira e Sermanha, proveniente ou do Lugar do Castelo ou das Apegadas. Daí foi transportado para o cruzamento entre os caminhos da Cruz de Loureiro, Mártir e Vila Cova, no Lugar da Forca. Terá depois sido retirado deste local por José Pinto do Rego, antigo proprietário da Quinta do Barreiro, e colocado na padieira de sua casa, local onde foi identificado por Álvaro Moreira da Fonseca. Mais recentemente a casa foi renovada, tendo o marco sido apeado e colocado junto do muro que ladeia a estrada.
Apresenta na face principal, voltada à estrada, a inscrição '1761 FEITORIA' distribuída por três linhas.
- Marco Granítico não referenciado no Decreto-lei n.º 35909 de 17/10/1946 - Quinta do Paço, Freguesia de Cidadelhe
Nono ou décimo marco da demarcação entre os Rios Teixeira e Sermanha, possivelmente colocado ou no Lugar dos Chãos ou no caminho para a Capela de São Gonçalo, em Cidadelhe. O Lugar dos Chãos era conhecido como local do Marco, muito embora o monumento lá não estivesse. Este marco estava a servir de padieira numa casa de apoio dentro da Quinta do Paço, o que explica o recorte de uma das suas faces. Foi identificado e retirado deste local e erguido no pátio da casa.
Está colocado no pátio central da casa em área ajardinada.
Fontes: FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da - As Demarcações Pombalinas no Douro Vinhateiro. 3 Vol.
IPPAR - Património Arquitetónico e Arqueológico Classificado: Distrito de Vila Real. Lisboa: Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico, 1993.
IPPAR - Património Arquitetónico e Arqueológico Classificado: Distrito de Viseu. Lisboa: Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico, 1993.
FAUVRELLE, Natália. Museu do Douro: Marcos da Demarcação. Peso da Régua, 2007 (Disponível para consulta e/ou requisição na Biblioteca Municipal de Mesão Frio)

